
Duvida da luz dos astros,
De que o sol tenha calor,
Duvida até da verdade,
Mas confia em meu amor.
William Shakespeare
PRIMEIRA VEZ
Eduardo Baqueiro
Na primeira noite foi apenas um olhar
Um simples olhar, nada mais
Mas teu rosto, o sorriso dos teus olhos
ficaram guardados dentro de mim...
Na segunda vez, um olhar
e um sorriso de satisfação
Uma surpresa gostosa ficou estampada
No meu rosto e no teu rosto também....
Na terceira vez, um olhar
e um sorriso não foram suficientes...
nos aproximamos, meio tímidos
poucas palavras pronunciadas...
Desta vez ficou estabelecido o próximo encontro
Um lugar especial para você: sua praia...
Cheguei cedo para não perder a hora
E fiquei ali contemplando as ondas do mar.
Sonhei acordado com teu sorriso,
Tua voz rouca e doce
ainda soava em meus ouvidos...
Senti medo de nunca mais vê-la...
Até que a mesma voz me acordou...
Era você que se aconchegava ao meu lado,
Contando detalhes de sua vida
Como se fôssemos velhos amigos...
Foi uma tarde especial para mim
Parecíamos duas crianças
construindo castelos de areia
para depois deixarmos as ondas carregarem...
A tarde já virava noite e meu coração estava triste.
Nosso tempo correu como raio...
Toquei teu rosto desejando ficar ali mais um pouco
Até que um beijo aconteceu...
As ondas do mar como testemunhas
De um novo amor que nascia...
Na despedida, uma promessa
De um novo reencontro!
O amor bateu à minha porta...
Não abri, não desejava mais amar!
Ele, do outro lado,
me disse que não adiantava...
Viria de outra forma:
Na brisa do vento da primavera,
Num sorriso de uma mulher especial,
Talvez num beijo sem malícia
Mesmo que envolto num perfume especial...
Mas viria e,
sem pressa, se instalaria no meu peito!
Despediu-se com um até logo e se foi...
Mas eu já não era mais o mesmo!
O amor, este bandido,
já tinha deixado suas marcas em mim...
Sabia que mais cedo ou mais tarde
meu sossego chegaria ao fim...
E chegou! Mais cedo que pensei!
Foi você, menina bandida!
Chegou de mansinho,
assim como quem nada quer,
Não perguntou se podia ficar,
Não pediu licença
e se instalou no meu coração...
Bandida! Roubou-me o sossego,
Bagunçou minha vida,
Me deixou assim, sem eira, nem beira...
Estou feliz com você ao meu lado
Mas sinto medo de perdê-la...
Não queria amá-la tanto assim,
Não queria ser tão dependente deste amor...
Não queria!
Eduardo Baqueiro.
Eduardo Baqueiro
Eu quero negar, e não consigo,
este amor que me vai por dentro,
que engole a minha alma
e depois me pede calma
para viver este momento.
Eu quero negar, e não consigo,
este amor que me enlouquece,
que esfacela o meu peito
e mesmo desse jeito,
cuidadoso, me enternece.
Eu quero negar, e não consigo,
este amor que me atormenta,
me consumindo paciente
tal qual uma semente
que do solo se alimenta.
Eu quero negar, e não consigo,
este amor que me domina,
que se impõe no meu viver
e sem eu perceber
já é a minha sina.
Eu quero negar, e não consigo,
este amor tão delicioso,
que me tem feito companhia,
só trazido alegrias
ao meu coração fogoso.
Eu quero negar, e não consigo,
este amor que vai comigo
neste peito sofredor,
tão carente do amor,
que só você soube me dar.
Silvia Munhoz